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Quem é atrás de mim?

Homem abraçando uma mulher por trás, em um retrato em preto e branco, transmitindo intimidade e vulnerabilidade.
retrato preto e branco, mulher ombro nu, mão masculina no ombro, sensualidade.

Tive que me virar para talvez não perder a última oportunidade.

Quem está atrás de mim?
Ele me responde com a sua mão quente e firme, tão firme que me confunde.


Não sei se está irritado ou se só quer que eu me vire.
Mas eu resisto a saber o que ele quer, escolho adivinhar ou pressentir, como sempre faço.

Ele insiste para que eu me volte, porque algo quer me dizer.
E eu temo, porque pude deduzir o que ele planeja. Já o conheço muito bem.

Mas ele continua ali e, enquanto penso no que vai dizer, meu coração se torce com uma dor que eu já não lembrava, mas que estava viva e ardendo e tão insuportável quanto das outras vezes.
Só me dei conta quando a senti.

Ainda não quero me virar, porque o calor dele aquece minhas costas, tanto quanto queima, mesmo que depois me deixe cicatrizes, prefiro acolher o frio do que lamentar uma marca.

Quem está atrás de mim?
Pergunto de novo, e sinto as pontas de seus dedos me apertarem.
Mas eu insisto que não vou olhar, porque não quero um dia ter que recordá-lo.

Meu coração bate tão forte que não sei se é ansiedade ou um aviso de que vou morrer.
E se eu morresse agora? Meu Deus!
Não daria tempo nem de observá-lo. Não haveria outra oportunidade.

Ele ainda está atrás de mim, tão obediente, e eu tão rígida.

Já vi esta cena antes, atrás de mim

Homem abraçando uma mulher por trás, em um retrato em preto e branco, transmitindo intimidade e vulnerabilidade.

Vejo agora sua presença ao meu lado, e me recuso a conhecer sua identidade, porque sei a que ele veio.
Eu o seguro pelo braço para, finalmente, afastá-lo de mim, mesmo que me leve contra o seu peito e me prenda para que eu nunca possa ir embora.

Já vi esta cena antes, a ponto de me tornar a diretora dessa obra… só que o final eu nunca consegui escrever.
Que ironia. Nunca consegui escrever.

Ele me aperta com sua virilidade, com seus dedos teimosos e com uma voz que me sussurra:

— Estou aqui…me dê a sua permissão para ficar.

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